‘Veganuary’, mês sem consumiralimentos de origem animal, cresce noBrasil; veja os benefícios e cuidados dadieta vegana

Matéria publicada em O Globo, dia 17 de janeiro de 2025. O ovo mexido pela manhã, o leite no café, um bife no almoço e um frango grelhado para terminar o dia. A alimentação da maioria dos brasileiros, e da população mundial, é composta em grande parte por itens de origem animal. Mas e se essa rotina mudasse para comidas exclusivamente de origem vegetal, ao menos por um mês?É o que propõe o “Veganuary”, ou “Janeiro Vegano”, movimento que estimula as pessoas a adotarem a dieta vegana ao longo do primeiro mês do ano. A iniciativa começou no Reino Unido ainda em 2014 e tem crescido ao longo da década, chegando oficialmente a 21 países. No Brasil, a primeira edição foi em 2021, e hoje a campanha conta com a organização da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB).Somente no ano passado, mais de 25 milhões de pessoas pelo mundo aderiram à prática. A divulgação tem embaixadores de peso, como os cantores Paul McCartney e Billie Eilish, o ator Joaquin Phoenix e, noBrasil, Xuxa e Luisa Mell. Neste ano, Larissa Maluf, diretora de comunicação da SVB, conta que mais de mil brasileiros já se inscreveram.— Essas pessoas recebem diariamente e-mails com dicas, opções de restaurantes veganos próximos e receitas. São mais de cem empresas apoiando com descontos. Nosso propósito é esse, que seja acessívelpara todo mundo. E temos a expectativa de que a maioria dessas pessoas de alguma maneira mantenham uma redução dos produtos de origem animal depois de janeiro — conta Larissa.Os dados de 2024 mostram o impacto da iniciativa. 82% dos não veganos que participaram disseram que fariam mudanças permanentes na alimentação, e 48% sentiram melhora na saúde. Para especialistasouvidos pelo GLOBO, há um claro aumento no interesse por dietas que deixam de lado o consumo de itens de animais.A mais conhecida é o vegetarianismo, que elimina a carne, mas mantém produtos como leite e ovos. Já o vegetarianismo estrito e o veganismo excluem todo e qualquer item que seja advindo de animais – a diferença entre os dois é que os veganos costumam evitar também produtos não alimentícios de origem animal ou testados neles, como couro e determinados cosméticos.Entre os adeptos do “Veganuary”, os principais motivos listados para esse interesse foram o apoio à causa animal seguido por melhora da saúde e menor impacto ambiental em meio às mudanças climáticas. Écomo vê também Manuela Dolinsky, professora de Nutrição da Universidade Federal Fluminense (UFF) e autora do livro “Nutrição de vegetarianos” (Editora Payá):— Sabemos que globalmente há uma crescente conscientização sobre os impactos ambientais da produção de alimentos de origem animal, que aumenta a emissão de gases do efeito estufa e o desmatamento. A popularização de documentários sobre o tema e o compartilhamento de benefícios para a saúde são outros aspectos que ajudam a explicar essa crescente.A estudante de Belas Artes na UFRJ Hannah Cunha, de 23 anos, deu início ao processo de se tornar vegana ainda em 2013. Começou com a redução do consumo de carne, passou para o vegetarianismo e, por fim, aderiu à dieta sem nenhum item de origem animal. Ela conta que o tema chegou nela por meio da irmã, e que juntas buscaram mais informações sobre:— Passamos a entender melhor o que acontece na indústria animal e aquilo me chocou muito pelos maus tratos, pela forma como o animal é visto como produto e não como ser vivo. Ao longo dos anos, fuientendendo também como a agropecuária está ligada a desmatamento,para criar pasto, por exemplo, então foram aumentando os motivos.Em 2012, uma pesquisa do antigo Ibope, encomendada pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), apontava que cerca de 8% da população se considerava vegetariana no Brasil. Segundo um levantamento da empresa de pesquisa Ipsos de 2023, 13% passaram a se rotular como vegetarianos ou veganos.Outros 7% consomem apenas peixes e frutos do mar, excluindo as demais carnes da alimentação. Juntando os três estilos alimentares, 20% não comem as principais carnes de origem animal, e outros 22% da população classificaram a si mesmo como flexitariana, um termo atribuído aos que buscam uma redução no consumo de carnes vermelhas e brancas, ovos e laticínios, não os consumindo em um oumais dias da semana. Benefícios da dieta veganaPara aqueles que aderem à alimentação vegana, as notícias são boas: uma série de estudos têm demonstrado extensivos efeitos benéficos à saúde. Um dos mais recentes foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e acompanhou 22 duplas de gêmeos ao longo de dois meses.Após o período, os resultados foram publicados na revista científica JAMA Network Open, mostraram que os irmãos que seguiram a alimentação vegana tiveram uma queda significativa no colesterol considerado ruim, o LDL, nos níveis de insulina e no peso corporal – o que indicou uma melhor saúde cardiovascular de modo geral.— Temos muitos estudos que mostram que pode melhorar a saúde cardiovascular, reduzir a possibilidade do desenvolvimento de diabetes, o risco de obesidade e de síndrome metabólica. Para alguns tipos decâncer também já foi relatada uma redução. E geralmente são pessoas bem centradas em relação ao seu estilo de vida, e por isso tem benefícios outros que vão além da alimentação, por atividade física, menos bebida alcoólica — afirma Durval Ribas Filho, médico nutrólogo e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).Manuela, da UFF, arrisca dizer que “uma dieta vegana bem planejada é muito superior a uma dieta onívora ocidental que vemos no dia a dia”. Entre os motivos, cita que a preferência por vegetais a torna rica em fibras alimentares, antioxidantes, principalmente de vitaminas e minerais, e de compostos bioativos:— Essa tríade está associada à redução do risco das doenças crônicas não transmissíveis, que são as cardiovasculares, diabetes, câncer, as que mais matam nossa população. Além disso, temos trabalhosmostrando que a dieta leva a um menor IMC, e sabemos que obesidade é a principal causa das outras doenças crônicas.No entanto, Natália Oliveira, pesquisadora do Observatório de Epidemiologia Nutricional da UFRJ e professora do Centro Universitário Arthur de Sá Earp Neto (Unifase), lembra a importância de

Movimento janeiro sem álcool conquista adeptos paraequilibrar os exageros do fm de ano e do Carnaval

Matéria publicada pela Folha de S. Paulo em 17 de janeiro de 2025. Entre os exageros cometidos nas festas de fm de ano e no Carnaval, o mês de janeiro é vistopor alguns como uma oportunidade para dar um tempo no consumo de bebidas alcoólicas. Omovimento “Dry January” (janeiro seco, ou seja, sem álcool) começou nos Estados Unidos e temconquistado cada vez mais adeptos no Brasil.A prática traz benefícios para saúde física e mental, especialmente entre aqueles que costumambeber em grandes quantidades, explica Durval Ribas Filho, médico nutrólogo e presidente daAbran (Associação Brasileira de Nutrologia).Os impactos positivos refetem na saúde cardiovascular e na função hepática, além de reduzir aresistência à insulina. Também há melhorias na absorção de nutrientes, especialmente dasvitaminas do complexo B como a tiamina (vitamina B1), e na recuperação dos níveis de algumasenzimas pancreáticas essenciais para a digestão.“Eu nunca fui muito de beber, mas desde que me mudei para São Paulo e comecei a sairpraticamente todo fm de semana, percebi que comecei a consumir álcool semanalmente”,conta Mariana Rosa Larrubia, 23, analista de comunicação. “Às vezes até comprava um vinho nomeio da semana para me mimar.”Larrubia está com a meta de fcar sem beber até seu aniversário, em março, e depois, reduzir nogeral, optando por tomar bebidas alcoólicas apenas ocasionalmente. Ela conta que, ao reduzir aingestão de álcool, ganhou mais disposição para estudar e trabalhar, além de começar suassemanas de maneira mais tranquila. Fisicamente, ela percebeu uma signifcativa redução deinchaço.A médica psiquiatra Nina Ferreira, especializada em dependência química e neuropsicologia, dizque “passar um mês sem ingerir bebida alcoólica ajuda a regenerar tecidos e órgãos,principalmente o cérebro e o fígado”.“Sem álcool, o cérebro funciona melhor, resultando em melhor concentração, raciocínio maisrápido, refexos mais ágeis e melhor coordenação motora”, afrma a médica. Há também umamelhora no humor, na percepção de felicidade e de prazer, além de redução da irritabilidade e daansiedade, completa.Mariana Larrubia cita que saídas sociais em que todos estão bebendo é um desafo, mas maiorque isso é manter a decisão de parar de beber. No entanto, após uma semana e meia, ela jáhavia se acostumado com a nova rotina.No ano passado, Mariana Oliveira, 25, estudante de direito, passou janeiro sem beber e gostoutanto da experiência que decidiu repetir neste ano. Ela menciona que conseguiu desintoxicar ocorpo e a mente, o que ajuda a fcar mais em casa e se concentrar em suas metas para o novoano.Desde que começou o desafo, notou melhorias signifcativas tanto no bem-estar físico quantomental, incluindo maior foco na academia, redução da ansiedade, mais tempo de qualidade coma família e boas noites de sono.Durante esse período sem álcool, o médico Durval Ribas Filho explica que o desejo por açúcarpode aumentar devido à infuência da substância no metabolismo da glicose. Para mitigar isso,recomenda-se consumir frutas e carboidratos integrais. Frequentemente, bebedores habituaisapresentam defciências nutricionais, especialmente de tiamina (vitamina B1), que podemcausar problemas neurológicos. Assim, é aconselhável a suplementação com multivitamínicos,especialmente do complexo B.Para maximizar os benefícios de um mês sem álcool, é importante enriquecer a dieta comalimentos ricos em vitaminas do complexo B, C, E, e selênio, além de aumentar a ingestão defibras com frutas, vegetais e grãos integrais. Manter uma boa hidratação é crucial, pois o álcooltende a desidratar o corpo, intensifcando os sintomas de ressaca. Essas mudanças dietéticasnão apenas compensam os efeitos negativos do álcool, mas também promovem uma saúdegeral melhor.Maikon Bryan, 22, gerente de experiência de cliente, comenta que evitar o álcool em contextossociais é mais difícil. Mas cita que seus amigos apoiaram sua decisão.Na adolescência, era bastante ativo nos esportes, o que o desencorajava a beber para não afetarseu desempenho. Com a transição para a vida adulta, ele reduziu a prática esportiva para seconcentrar mais no trabalho e nos estudos, o que resultou em eventos sociais mais frequentesacompanhados de consumo de álcool.A psiquiatra Nina Ferreira destaca que mudar a rotina para evitar o álcool pode causarestranhamento entre familiares e amigos. Ela enfatiza a importância de comunicar claramenteque essa é uma decisão pessoal visando a saúde, e que espera-se respeito e compreensão.Durante esse período, ajustes na rotina e distanciamento social podem ser necessários,especialmente se enfrentar reações negativas como críticas ou isolamento. Link somente para assinantes: https://bit.ly/42CVUVp

Alimentos com baixo índice glicêmico: veja lista

Quem se interessa por nutrição ou busca se alimentar de maneira saudável provavelmente já ouviu que é melhor optar pelos alimentos com baixo índice glicêmico, mas pode ter se perguntado: quais são eles? E por que razão seriam melhores? Participei de uma entrevista para o portal G1 – Eu Atleta, que tratou de esclarecer o que é o tal do índica glicêmico e quais são os melhores alimentos. Quer conferir a lista? Entre no site https://bit.ly/40CL7rM e saiba mais.

6 nutrientes que promovem o bem-estar físico e emocional

Uma alimentação equilibrada não apenas nutre o corpo, mas influencia a saúde mental, ajudando a prevenir transtornos como ansiedade e depressão. “A saúde mental é multifatorial e está profundamente ligada à alimentação, à neuroquímica e ao comportamento”, afirma o Prof. Dr. Durval Ribas Filho, nutrólogo, Fellow da Obesity Society FTOS – USA e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). Os alimentos que consumimos diariamente fornecem nutrientes necessários para a produção de neurotransmissores como serotonina, dopamina e GABA (ácido gama-aminobutírico). Esses compostos são fundamentais para regular o humor, o sono e a sensação de bem-estar. Quer saber quais são? Acesse o site da Jovem Pan News – https://bit.ly/4aIkJRM e leia a matéria completa.

Inteligência artificial na saúde: ganhos ou perdas?

A inteligência artificial vem ganhando espaço também na Medicina. O desafio é equilibrar o que há de melhor na tecnologia, sem deixar para segundo plano a relação médico-paciente. Este elo de confiança muitas vezes é o fiel da balança em doenças de alta complexidade… Em Veja Saúde, apresentei um artigo destacando os prós e contras da IA aplicada à Medicina e ressaltei alguns pontos que merecem atenção e uma intensa reflexão. O artigo completo está disponível em https://bit.ly/3CBELAY

O obeso precisa ser abraçado

No mês em que se comemora o Dia da Luta Contra a Gordofobia, 10 de setembro, discriminação e preconceito ainda são presentes entre as pessoas acima do peso. Quebrar paradigmas e despertar um novo olhar, sobre elas, talvez seja um dos mais difíceis caminhos, quando se constata que a obesidade é uma doença crônica, num cenário de epidemia global, que afeta a saúde pública e não tem distinção de idade, sexo, raça ou classe social. Sobre este assunto escrevi um artigo para o site do Jornal O Tempo, mostrando que a gordofobia é uma doença social e o seu combate não consiste em apenas lutar para que o obeso não seja perturbado e vítima de um potencial bullying.  Leia o artigo completo em https://bit.ly/3zeKGuc

Sal: só o quanto baste – e olhe lá!

Em artigo para Veja Saúde, expliquei as funções do ingrediente no organismo e por que o exagero abre alas a males como a hipertensão. O sal está entrelaçado com a própria história da humanidade, na evolução dos hábitos alimentares, nos negócios e até mesmo em rituais religiosos. Hoje ocupa, muitas vezes, um lugar de vilão, pelos risque pode trazer à saúde. Precisamos, contudo, ter um olhar mais atento e cauteloso sobre o consumo. O que está em discussão – e realmente faz mal – é a ingestão excessiva. Doses acima das nossas necessidades fisiológicas podem trazer problemas sérios, e o maior deles é a hipertensão. Leia o artigo completo em mais http://bit.ly/42E8u6U